terça-feira, 9 de setembro de 2008

Onde escondemos o lapela? (esconder, colocar o lapela)

Uma dos erros que mais pode rolar em relação ao som no cinema é o aparecimento do nosso pequenino na imagem. O lapela é um pequeno microfone que serve exatamente para ficar o mais proximo possível da boca do personagem, sendo o microfone responsável por captar a fala.
O que acontece muitas vezes é que estamos quase terminando de montar o set de filmagem quando alguém vira-se para a equipe e pergunta: onde eu boto o lapela?

O que o lapela tem de bom em relação ao shotgun (o microfone que fica na vara de boom) é que ele é mais "duro": capta muito mais o que está proximo dele e muito menos o que está distante, portanto ele é ótimo para cenas externas.

normalmente o sistema de lapela consiste em três partes: o microfone (que tem um cabo, o que pode atrapalhar um pouco), que liga em um transmissor (o treco que fica na cintura, mas em uma cena que os atores ficam sentados ele pode ficar no chão, na mesa, ou em qualquer lugar que não apareça mas facilite a transmissão) e um receptor (que fica preso na camera ou no lugar para onde vai o audio).
Bem, existem vários lugares para colocar o lapela e ele depende muito da roupa que o ator esta usando. um bom lugar seria exatamente na lapela da roupa, atrás dela, mas nem sempre rola. Outra coisa que importa muito é onde está a camera, porque se a camera captar o lado direito do ator você pode colocar o microfone do lado esquerdo e vice versa.
Um ótimo lugar, mas meio maluco é colocar no cabelo (tem que ter uma quatidade razoável de cabelo e tem que ser preto, castanho...) e passar o fio pelas costas. o importante é tentar manter o mais perto da boca possível, pois caso contrário ele não vai captar a fala. no caso de uma camiseta você pode prende-lo dentro dela perto da estampa, e se não rolar uma estampa pode ficar perto de alguma dobra da roupa, mas lembre-se que pode comprometer um pouco o som graças ao barulho que a roupa faz ao raspar no corpo do ator. no caso de colocar o lapela dentro da roupa é melhor que a cena não tenha muita movimentação do ator.

Se você tiver apenas um microfone de lapela (aqui no Brasil pode rolar bastante...) o ideal seria você colocar o microfone na pessoa que tem falas mais importantes ou colocar no personagem com menos potência vocal e um pouco mais abaixo do habitual, que seria no peito.

ao decupar a cena não se esqueça dos microfones, caso o contrário nem leve o microfonista e nem o técnico de som (é uma boca a mais para alimentar...)

amanhã coloco alguns exeplos em vídeo para vocês verem.

um abraço!

*Guilherme Ferrari é colaborador do Audiovisueiros

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Games e Política


Fui assistir a uma palestra do Gonzalo Frasca, um game designer, pesquisador de games e dono de um currículo bacana com PhD e todos esses maus necessários (isso de acordo com os pesquisadores que eu conheço que alegam que a pesquisa vicia além de dar muito trabalho!).

O simpático uruguaio que vestia exatamente o que queria dizer (uma jaqueta da Hello Kitty por cima de uma camiseta do Obama!) falou sobre a relação entre games e política, mas não apenas política de candidatos e eleições como sempre acabo por restringir a palavra, fez um apanhado do que são, essencialmente, os jogos e a que propósitos eles atendem embasando-se no passado, dentre outras coisas jogos de tabuleiro, para levantar questões sobre o atual universo/mercado dos games e a relação deles (principalmente dos jogos para a internet) com a sociedade.

Com comparações eficazes e muito divertidas, Frasca, falou sobre como os jogos já ganharam um espaço grande e estão se tornando, em suas palavras, “o novo graffiti”: um meio onde as pessoas (especialmente os jovens) expressam suas inquietudes e opiniões. São exemplos recentes os muitos “shoot obama” que surgiram após o 11 de setembro ou até mesmo um “mate o Lula” ou “ajude a Amy escapar da rehab”. Esses jogos mais “caseiros” são feitos através de tecnologias não muito complexas e contam com a internet como mídia perfeita para distribuição e é exatamente nesse ponto que entra a relação entre os games e a política quando os jogos estão refletindo acontecimentos, revoltas e elementos cotidianos de uma sociedade.

*Jéssica Puga é colaboradora do Audiovisueiros