domingo, 20 de junho de 2010

Homem de Ferro 2 (Jon Favreau, 2010)

Continuação é boa, mas não supera o 1° filme...

Robert Downey Jr. retorna no papel do herói milionário Tony Stark, dessa vez assumindo sua identidade secreta publicamente. Nesse novo filme, Stark começa a sofrer com o equipamento instalado em seu peito e revela-se (nessa parte a trama se identifica bastante com a história original) um legítimo alcoólatra, sendo assim, passa boa parte do filme bêbado, o que gera uma pequena crise de identidade e um certo mal-estar para com as pessoas de sua confiança. Em sua companhia continuam a secretaria Pepper Potts (Gwyneth Paltrow) e James Rhodes (Don Cheadle), subtituindo o ator Terrence Howard. O vilão da vez é Ivan Vanko, interpretado por Mickey Rourke que tenta vingar o pai, este que teria sido enganado, no passado, pelo pai de Tony Stark. O enredo se apresenta de maneira clara, sabemos o tempo todo o que está acontecendo, do que Stark tem medo, o que esconde, o que estão tramando contra ele, enfim, não existem muitas surpresas no filme, mas isso não significa que o filme seja previsível, ele não é, e isso fica claro pela aparição súbita de Nick Fury (Samuel L. Jackson), que surgiu no final do 1° filme e pela misteriosa Viúva Negra (Scarlett Johansson), que dão indícios de como pode vir a se formar "Os Vingadores", com a convocação, mesmo que indireta, de Tony Stark.No mais, o filme preza pelos ótimos efeitos visuais, pela trilha sonora da banda ACDC e por uma bela edição de som e mixagem. O tom característico de Robert Downey Jr. deixa Tony Stark bastante irreverente e divertido, ás vezes até demais, mas serve para contagiar e deixar o personagem mais próximo do público, bem como seu romance/não romance com Pepper. Quem realmente rouba a cena é Mickey Rourke como o vilão russo Ivan, e sua arara de estimação, Rourke faz uso de um sotaque russo, o que faz com que sua voz se torne estranha, mas ao mesmo tempo, cheia de autoridade e confiança, além de seus dentes de ouro e suas espressões faciais que são um show a parte. Os demaispersonagens mantém aquilo que é esperado, sem nenhum destaque especial.Uma grande relação que se estabele e se revela de um modo bastante peculiar é a de Stark com seu falecido pai. Stark filho percebe, através de um filme deixado por Fury, que seu pai sentia muito carinho por ele e que não vivia somente para o trabalho, mas que também pensava no futuro do filho.Novas roupas, novos personagens e uma nova história, mas mesmo assim, Homem de Ferro 2 não supera o 1° filme, com todo seu frisson e sua surpresa. Acabo levando a sério minha tese de que existe um "mal" entre os filmes de herói, o 1° sempre acaba sendo melhor do que as continuações.
P.S.: Por favor, fiquem até o fim dos créditos, se você acompanha a história do filme "Os Vingadores", não vai se arrepender...


*Renan Lima é editor do Audiovisueiros

segunda-feira, 7 de junho de 2010

O mundo imaginário do Dr. Parnassus (Terry Gilliam, 2009)

Surreal e fantástico enriquecem último filme com a participação de Heath Ledger

O filme criou muita espectativa a partir da última aparição de Ledger no cinema e acabou gerando inclusive, algumas polêmicas pela troca de atores. O novo filme de Terry Gilliam (um dos criadores da série Monty Python), conta a história de Parnassus, um senhor de mais de 1000 anos, que fez um pacto com o diabo, onde teria que dar a ele sua filha, assim que esta completasse 16 anos. O senhor Parnassus comanda uma pequena trupe: um anão; um jovem menino e sua filha e eles apresentam seus espetáculos contando com a ajuda de um enorme espelho mágico, onde as pessoas podem entrar e se deliciar com suas mais profundas imaginações. Então, eles encontram Tony (Ledger), um rapaz em estado de amnésia que acaba incorporado ao grupo e passa a participar dos espetáculos. Parnassus faz então um outro pacto com o diabo para salvar sua filha e Tony acaba envolvido na situação, consciente ou inconscientemente. O filme tenta, num primeiro momento, se prender num campo mais realista, mesmo com os índices não reais: homem de mais de 1000 anos de idade, diabo, espelho mágico, o que temos é a apresentação de uma história clara e clássica, com uma estrutura completamente segura e óbvia. Mas, aos poucos, vamos embarcando nesse mundo do sonho, através da imaginação das pessoas que conhecem o espelho e também pelo choque de imaginações provacada por Tony (a regra do espelho não permite que duas pessoas o visitem juntas), que acaba servindo como mentor dos curiosos.A direção de arte impecável, explorando ao máximo esse ambiente anti-naturalista, com cores fortes e expressivas, além de objetos e figurinos extravagentes; a fotografia segue o mesmo ritmo, muitas vezes, utilizando movimentos de câmera impossíveis e enquadramentos diferenciados; a montagem altera momentos frenéticos com momentos calmos, em variação com a imaginação de cada personagem. A utilização de outros atores (Johhny Depp, Jude Law e Colin Farrel) para substiuição de Heath Ledger no papel de Tony, acabou casando com a narrativa do filme de uma maneira bastante interessante, ainda mais em se tratando de um campo do sonho e do surreal. O filme se utiliza de um recurso difundido por Alice (Lewis Carrol) e muito bem utilizado em "Matrix" (Irmãos Wachowski, 1999), quando, a partir de uma decisão simplória do personagem, ele escolhe que caminho seguir, se o da realidade ou o da ficção, ou vice-versa.Sobretudo, o filme não tem medo de errar explorando esse novo mundo, cheio de possibilidades, de uma maneira bastante intensa e muitas vezes até, exaustiva. O filme "não fica em cima do muro", ele se encontra com o surreal e parte em busca do imaginário de fato. Me lembrei bastante de um filme nacional bastante competente, "O contador de histórias" (Luis Villaça, 2009), que também apresenta essa premissa do mundo imaginário e inventado, mas que infelizmente não o explora a fundo, fica apenas na superfície, o que é uma pena, porque esse poder que o surreal exerce enriqueceria muito a narrativa. Mas me parece, que mais uma vez no cinema nacional, houve medo de se arriscar.Bom, Gilliam não teve medo e realizou um excelente filme, adeus querido Heath Ledger, você fará muita falta...


*Renan Lima é editor do Audiovisueiros

domingo, 6 de junho de 2010

Mary e Max (Adam Elliot, 2009)

Stop Motion resgata o espírito da amizade

Max, um velho rabugento e Mary, uma jovenzinha de 8 anos? Não, não é um novo filme do Woody Allen, estou falando de uma animação em stop motion exibida no festival de Sundance, que conta a história dos protagonistas já citados, que não se conhecem mas buscam a mesma coisas: um amigo de verdade. Mary vive com seus pais em uma pequena cidade da Austrália, cultiva uma infância sem graça, onde a única diversão é beber leite condensado assistindo ao seu desenho favorito, "Os Noblets", já Max é um senhor de 44 anos que vive em Nova Iorque, grande amante de cachorro quente de chocolate, encontra em seus animais de estimação e em "Os Noblets" algum sopro de vida.Em um determinado dia, Mary encontra o endereço de Max em uma lista telefônica e eles começam a trocar correspondências. O diálogo se inicia com a pergunta de Mary para Max: "De onde veêm os bebês?", e a partir disso eles iniciam um longo processo de conhecimento sem se conhecerem de fato. Max funciona, inicialmente, como um "psicólogo imaginário" para Mary, que responde suas perguntas e suas inquietaçãos mundanas, mas a relação se estreita quando Mary pergunta sobre o amor, assunto que trás a Max fantasmas do passado.Essa relação se alterna em certos momentos quando Max passa a perguntar e Mary, a responder. O filme caminha dessa maneira enquanto cada um tenta lutar contra os seus próprios medos, encontrando no outro, força e(de) vontade, além da realização de uma amizade verdadeira.A fotografia é destoante nos dois espaços: enquanto Nova Iorque é retratada em preto e branco, temos a Austrália toda colorida, estabelecendo uma metáfora para a vida de Mary que começa e a de Max, que termina. Além de uma direção de arte bastante detalhista, tanto com objetos e figurinos quanto características individuais dos personagens. Por último, e não menos importante, a trilha sonora (sim, tenho dado bastante importância ao som em meus últimos textos, deve ser porque percebi que uma boa trilha sonora me fascina), com uma música tema que capta de maneira simbólica e especial, o sentimento de amizade.Um filme que teria recursos para se tornar um clichê, se mostra muito maduro e consciente, fazendo bonecos transmitirem sentimentos reais. o filme traz a reflexão sobre o sentimento "AMIZADE", em seu estado mais puro e nos mostra porque ELA vale a pena.Engraçado, fazia tempo que eu não me emocionava tanto com um filme, mas esse me pegou de jeito...


*Renan Lima é editor do Audiovisueiros