quarta-feira, 28 de julho de 2010

Nada foi em vão (Kiwi Dilemma, 2010)

Dessa vez não estou aqui para escrever alguma crítica ou texto reflexivo sobre algum filme em cartaz. Venho agora divulgar um trabalho meu e de amigos da faculdade, um clip em plano-sequência que filmamos durante um longo dia de domingo. A câmera utilizada foi Cannon 5D Mark II e não existe, mesmo (eu juro), nenhum corte, foi tudo de resultado de muita dedicação e suor de uma galera que está começando uma próspera caminhada no mundo audiovisual. Espero que vocês gostem, e por favor divulguem, sabem como é o mundo da comunicação, um fala para o outro que fala para o outro e enfim...
E não deixem de conferir o making of, vale a pena...

"É, a gente ainda é cabaço mas até que fazemos um barulho mais ou menos" - Fábio Aguiar, diretor.


*Renan Lima é editor do Audiovisueiros

terça-feira, 20 de julho de 2010

Dzi Croquettes (Tatiana Issa e Raphael Alvarez, 2009)

Grupo revolucionou o cenário artístico e cultural brasileiro na década de 70...

"Bicha não morre filha...vira purpurina", a expressão, hoje popularmenta conhecida, ganha força extrema no documentário dirigido por Tatiana Issa e Raphael Alvarez, que conta a história do grupo "Dzi Croquettes", famoso na década de 70, por uma inovação teatral através da dança e da música. No contexto histórico, estamos falando do auge da ditadura militar, do AI-5, onde qualquer forma de liberdade e manifestação política era duramente reprimida, incluindo shows, espetáculos teatrais e até mesmo exibições de filmes em salas de cinema. O grupo, composto inicialmente por 13 homens, fazia shows onde a performance corporal tinha papel de destaque, eles se apresentavam vestidos de mulher ou, na maioria das vezes, semi-nus, gerando ao olhar um certo desconforto e prazer ao mesmo tempo, de uma sexualidade dúbia e andrógina, que mexia com os hormônios e com os desejos de uma platéia extasiada.O documentário relata depoimentos de pessoas diversas: atrizes como Marília Pêra e Betty Faria e atores como Pedro Cardoso e Miguel Falabela; músicos, cantores ou produtores musicais como Ney Matogrosso e Nelson Motta; além de é claro, alguns ex-integrantes do Dzi Croquettes que falam sobre o momento que o grupo surgiu, até o seu auge e o seu rompimento no final da década de 80. O filme também se preenche com imagens de arquivo dos shows e reportagens e fotos da época, conseguidos através de uma televisão alemã.Um dos momentos mais interessantes do documentário é quando alguns dos "Dzi" falam sobre a volta ao Brasil e o fim do grupo depois de passarem uma temporada na Europa, de onde iriam direto para a Broadway, mas por algum motivo (explicado de maneira muito superficial no filme) decidem retornar para fazer um show em uma fazenda na Bahia. A partir disso fica claro que houve um motivo muito maior para que eles retornassem, que não é exposto no filme.O tom nostálgico e pessoal é dado pela diretora Tatiana Issa que conviveu com o grupo durante algum tempo, seu pai era cenógrafo e amigo do grupo, e isso se dá de maneira bastante subjetiva, em voz off, com apenas 3 passagens durante todo o filme, mas que garantem um forte sentimento de admiração e reconhecimento por parte dela.Se não é inovador enquanto formato, é interessante pela trajetória desse fantástico grupo."Quando eu ficava com medo, eles vinham e falavam para eu fechar os olhos que tudo ia ficar bem, aqueles palhacinhos que enfeitavam minha vida" - Tatiana Issa.


*Renan Lima é editor do Audiovisueiros

sábado, 17 de julho de 2010

O Pequeno Nicolau (Laurent Tirard, 2009)

e a fábula da infância.

Conversando com franceses dias desses, soube que existem dois livros que praticamente toda criança na França acaba lendo - a popular fábrica de lágrimas "O Pequeno Príncipe" e a série de quadrinhos "O Pequeno Nicolau", de René Goscinny (o mesmo das histórias de Astérix). O livro de Saint-Exupéry aborda em profundidade a inocência e propõe reflexões filosóficas sobre a pureza, enquanto os livros de Goscinny mergulham no imaginário pueril das crianças quase que literalmente. No ano passado, a série ganhou uma adaptação cinematográfica produzida na França, que entrou em cartaz no Brasil no início do mês.
Mantendo o título original dos quadrinhos, Le Petit Nicolas (2009, dir. Laurent Tirard) conta a história de Nicolau - a escolha da tradução de todos os nomes de personagens indica algum apelo, mesmo que esquecido, ao público infantil -, um menino que tem a vida que gostaria de ter: uma boa família, uma professora amável e colegas divertidos. Nicolau é tão feliz com a maneira como as coisas estão que mal consegue se decidir sobre o que quer ser quando crescer. Para ele, basta que tudo continue igual.
É quando o mundo dos adultos, que Nicolau e os colegas de sua idade tanto custam a entender, dá a ele sinais de que as mudanças estão por vir - e são muitas! Acreditando que sua mãe pode estar grávida de um irmãozinho e que seus pais farão de tudo para livrar-se do filho mais velho antes do bebê nascer, ele e seus amigos começam a bolar planos para salvar o garoto e acabar com a ameaça. A brincadeira realidade/imaginação entre o que Nicolau pensa e o que as coisas são de fato dá o tom da narrativa.
É justamente nesse sentido que a direção leve de Laurent Tirard mantém o espectador imerso nessa aura de inocência com que o garoto enxerga o mundo.
Apresentando a visão de Nicolau (onde tudo pode ser interpretado pelos olhos da criança que não compreende os assuntos e preocupações dos mais velhos) e também a versão dos adultos diante dos fatos, ainda que contidos no mesmo universo agradavelmente colorido (na direção de arte impecável que retrata uma França cotidiana da década de 50), o filme garante risos e situações divertidas entrando em temas que fazem qualquer marmanjo se identificar (da rivalidade meninos X meninas até as reuniões da turminha do bairro). O clima lembra "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain", com inserções pontuais para apresentar personagens e a abordagem quase lúdica do universo do menino.
É preciso, no entanto, abrir os horizontes; "O Pequeno Nicolau" é uma fábula de inocência despretensiosa, sem grandes objetivos de fazer pensar como "O Pequeno Príncipe" o fazia nos livros. Trata-se de uma pequena amostra de como a mente de uma criança funciona e de como os adultos, algum dia, deixam de compreender o que era pensar como uma. Mas nada de lágrimas, nostalgia ou sentimentos descortinados - vale mais abraçar a noção de que esse é um filme para crianças, sim, mas onde qualquer um pode rir e se divertir do mesmo jeito. Para uma boa tarde de domingo no cinema.


*Maíra Testa é colaboradora do Audiovisueiros

quarta-feira, 14 de julho de 2010

É proibido fumar (Anna Muylaert, 2009)

Sobre músicas e cigarros...

O 2° longa-metragem dirigido por Anna Muylaert (o 1° foi Durval Discos, 2002), trás a história de Baby (Glória Pires), coroa solteirona, fumante, professora de música, que vive no apartamento deixado pela mãe e Max (Paulo Miklos), um homem de meia-idade, músico e "supostamente" divorciado. Eles acabam se conhecendo quando ele se torna vizinho de apartamento dela, mas logo descobrem que ambos nutrem um gosto em particular, a música, mas divergem quanto ao gosto pessoal. De qualquer maneira a relação se constitui, entretanto Max não permite que Baby fume em seu apartamento, daí o título do filme e a iniciativa de Baby em parar de fumar. Com o decorrer do tempo, Baby descobre que Max mantém contato com sua ex-mulher, que é fumante.A trama se desenvolve de maneira simples, Baby gosta de Max, mas ao mesmo tempo sabe que ele alimenta uma mentira: de não manter relações com sua ex, contudo, a situação muda quando um fato inusitado retira a "ex" da vida do casal. Baby é uma mulher que vive no passado, no passado da mãe, enquanto mantém uma relação de tapas e beijos com suas 2 irmãs, já Max é um cara que ainda tem um pouco a curtir na vida, mas encontra em Baby seu "porto seguro".O filme preza por um tom realista dado pela fotografia quase sem contraste, marcada por movimentações em travellings (algumas vezes de maneira desnecessária) que ajudam a compor o 1° e o 2° plano no quadro, e por alguns movimentos de grua que dão tom mais emotivo ao filme, principalmente no plano do cemitério. A direção de arte, um ponto muito forte no filme, trabalha em cima do cotidiano e do básico, a cenografia e os objetos dão o tom nostálgico para o apartamento de Baby, de um não desvincilhamento do passado, bem como o figurino, exagerando na utilização de moletons de cores extravagentes que sugerem uma forte ligação com o comodismo da personagem. O som, marcado bastante pela trilha sonora, compõe uma ponte interessante entre os momentos de comédia e de não comédia, com algumas piadas soltas e pausas dramáticas silenciosas. O roteiro é marcado por bons diálogos mas peca por uma certa obviedade, ele não nos surpreende ao ponto de causar surpresa, mas se estabelece como um guia seguido pelos personagens principais.Glória Pires atua de maneira convincente, buscando o roteiro e improvisando quando necessário, já Miklos faz o contrário, improvisa o tempo todo e isso provoca um certo descompasso entre os dois, ora de maneira positiva, logo no começo da trama e hora de maneira negativa, já no final do filme.O filme vale a pena principalmente pela simplicidade e pela sinceridade com que a história é contada. Nada de novo, mas pelo menos não é igual ao resto.


*Renan Lima é editor do Audiovisueiros