quarta-feira, 24 de novembro de 2010

A internet como ferramenta de publicação e divulgação I

A famosa afirmação de McLuhan, “o meio é a mensagem” , pretendia fazer um contraponto para a leitura tradicional dos meios como simples canais de passagem ou suporte aos conteúdos. A tese de McLuhan é a de que, longe de ser “transparente” ou inerte, o meio influencia a interpretação da mensagem e é determinante para a geração do conteúdo . Lamentavelmente, ele faleceu exatamente no momento do surgimento da Internet, um projeto ambicioso iniciado nos anos 60 e consolidado no início da década de 80 com a adoção do protocolo universal de comunicação entre computadores (TCP/IP).
Talvez a internet não seja a principal criação do momento em que vivemos, mas sem dúvidas representa uma mudança na forma pela qual nos comunicamos e é a demonstração cabal da tese de McLuhan.
Entre palavras como convergência, web, rede de computadores, e-commerce, busca de informação e redes sociais, o que é a internet?
Uma plataforma de entretenimento; uma ferramenta de trabalho; um meio de comunicação? Ela pode ser um pouco de tudo.
O nome completo da internet é public worldwide computer network system , ou seja, é um espaço público que conecta o mundo todo através de uma rede de computadores. Quando esse conceito foi concebido ainda não existiam os dispositivos móveis de acesso. Hoje é possível conectar-se com praticamente qualquer aparelho através de seu protocolo, da geladeira ao televisor, passando por qualquer equipamento capaz de comunicar-se direta ou indiretamente com a rede.
A Internet já faz parte de todas as “indústrias”, não só a da comunicação. Ela participa de nossa vida social, sem dúvidas, mas também esta mudando nossos hábitos de consumo e a forma de se fazer negócio. Sistemas de e-mail, o Google, a Wikipédia, o Msn, as lojas virtuais, os sites de conteúdo e os torrents são só alguns exemplos de como a internet impacta nosso cotidiano pessoal e profissional.
Para a indústria midiática a internet é um importante acontecimento, por ser o centro da convergência das mídias e um espaço onde podemos buscar o feedback dos nossos consumidores e o perfil dos mesmos, além de estabelecer um diálogo de forma nunca antes possível.
Tanto a convergência como o diálogo geram um engajamento do consumidor único, proveniente da liberdade e da comunicação.

*Guilherme Ferrari é colaborador do Audiovisueiros

domingo, 21 de novembro de 2010

Como funciona a decupagem de uma cena? (decupar um roteiro III)

Percebi, através do Google Analytics e dos e-mails que recebemos dos nossos leitores, que o post sobre decupagem é um dos mais acessados. Portanto resolvi dar continuidade ao estudo... Lembrando que os anteriores são bem "básicos", isso porque decupagem é um processe complicado que define todos os aspectos artísticos e até de produção de um audiovisual. Já disse antes mas repito, a decupagem é específica de cada área, ou seja, existe decupagem de produção, de arte, de fotografia... a que expliquei nos outros posts referem-se à decupagem de direção.
para ver as postagens anteriores clique nos link abaixo:

Vou direcionar esse novo post baseado no email que recebi de Paulo Fernando. Ele pediu para que eu fizesse um novo post semelhante ao primeiro.

Para as observações que vou fazer usarei ESSE VÍDEO.
trata-se de uma cena do seriado LOST., e vou comentar, de forma bem simples e sem nenhuma análise dos objetivos da decupagem (deixo isso para os comentários). Analisarei apenas os primeiros 44 segundos, que é a cena do Jack com a aeromoça.


ANÁLISE:
O Primeiro plano é um pequeno traveling para trás que começa da visão de Jack da janela do avião e no moviento apresenta o personagem em primeiro plano. Ainda sem um corte o plano recua até o braço da aeromoça que ocupa o lado esquerdo da , para então cortar para um plano médio dela. No corte vemos que a aeromoça permaneçe no lado esquerdo da tela, definindo assim o EIXO DA CENA. o plano médio da aeromoça é seguido de um corte novamente para o plano fechado iniciando assim o campo e o contra-campo Esse campo/contracampo entre o plano fechado de Jack e o médio da aeromoça é interrompido por um médio de jack que mostra, além do braço da aeromoça ao lado esquerdo da tela, todo o tronco da personagem e o movimento que ela faz para entregar a bebida para Jack, além do carrinho de bordo. Então vem um corte para um fehado da aeromoça, um fechado de Jack, e, depois de cerca de 4 segundos nesse plano, sem nenhum diálogo, com a trilha começando a se destacar adicionando elementos musicais, tem um corte para o médio de jack guardando a garrafa no bolso (no fechado não teríamos visto o movimento pois estaria Fora de Quadro). A cena seguinte, na mesma locação (pode não ser chamada de uma nova cena, e sim apenas da continuação da mesma cena), entra com um corte para outra aeromoça atendendo outra personagem protagonista (Jack e Kate são dois principais da série e aparecem nas 6 temporadas). A aeromoça esta do lado esquerdo da tela, como com a outra aeromoça na cena com Jack.

SOBRE A EXECUÇÃO:
Essa cena pode ser resolvida com três planos diferentes na hora de filmar. Um deles seria o fechado de Jack, que vem da janela. Outro seria o aberto de Jack, que mostra o carrinho parcialmente e o tronco da aeromoça. O terceiro compilaria dois dos planos apresentados pois o operador de câmera teria cerca de 5 segundos para mudar de posição (mas poderiam ter sido filmados os quatro planos separadamente, mas essas produções costumam a ser rápidas durante as graçações então imagino que eles tenham poupado tempo sempre que tiveram a oportunidade.

É isso.
- SPOILER ALERT -
vejo que a cena é bem simples mas ao mesmo tempo tem algumas coisas para analisar, como o porque abrir o plano de Jack para enquadrar o movimento dele guardando a garrafa ao invés de deixar o movimento fora de quadro (o personagem de Jack se revela alcoólatra mais adiante na série). Ou porque depois do mais aberto de Jack temos a primeira aparição do primeiro plano da aeromoça seguido do fechado de Jack (até antes daquele momento a aeromoça estava na cena sem muita importância, então ela decide dar para Jack a garrafa, contra as regras do avião, porque ele comenta que não é uma bebida forte).

Espero que gostem desse post e Obrigado Paulo Fernando, Thuka Dias, PH Backward, Raphael Azevedo, Raphael Felisbino de Jesus, Bruna Campelo, Débora Lima dos Santos, Isabelle Mesquita, Vanessa Melo, Vídeo Produtor, Andréia Santos de Aguiar, Luís Alves, Vagner Villa, Leonardo Lacrod, Laura Borges e Luis Mendes pelos e-mails interessados e todos os seguidores!

*Guilherme Ferrari é colaborador do Audiovisueiros

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Scott Pilgrim Contra o Mundo (Edgar Wright, 2010)

Um épico de pequenas proporções.

Quando Bryan Lee O'Malley lançou a série de quadrinhos Scott Pilgrim em 2004, usando Toronto e um personagem principal meio loser e cabeça-oca como foco, nuvens não se dissiparam e o mundo não mudou para sempre. Apesar de ter atingido relativo sucesso no mundo das graphic novels indie, os leitores de HQs mais ávidos só achavam que a história era boa ou, quase sempre, 'divertida'. Scott só atingiu o pico do amor indie em 2010, quando O'Malley decidiu encerrar a publicação e Edgar Wright, cineasta que virou sensação underground com seu "Todo Mundo Quase Morto", prometia um épico lançamento de um igualmente épico filme baseado nos seis volumes da série.
O lançamento em si foi surpreendentemente fraco. Depois de todo um circo montado em torno de Michael Cera - o ator de um personagem só - e os 7 ex-namorados do mal durante a San Diego Comic-Con em julho, o filme só chegaria por aqui com entrada mais que modesta em três esparsas salas de cinema (em SP). Mas o épico ainda estava lá. Se você foi dos poucos que entrou nessas salas - ou dos muitos que não aguentou e baixou o BluRay Rip -, sabe do que eu estou falando.
A parte complicada de adaptar Scott Pilgrim vs. The World (dir. Edgar Wright, 2010) é que a série era... quadrinhos demais. As onomatopéias, o uso dos limites dos quadros, o visual preto e branco, a base e a essência que faziam a história ser como ela é. Transferir essas particularidades do quadrinho para a imagem em movimento é tarefa com potencial para virar um desastre de grandes proporções (Hulk?), mas o coelho na cartola de Edgar Wright era um inesperado fator complicação. Não contente em fazer um crossover entre dois meios, ele foi lá e colocou os videogames na massa.
Mais como uma referência à classe que Scott representa, a tal geração Y que só quer ser jovem para sempre e acaba vivendo num limbo de (in)significância, transformar a preciosa vidinha de um baixista sem perspectivas em metáfora de um jogo de videogame é o recurso que pontua não só o tom extremamente despretensioso (e sim, completamente pretensioso também) do filme como também a sensação de que nada acontece de verdade, mesmo que muita coisa aconteça ao mesmo tempo. O jogo existe de fato dentro da cabeça de Scott - e essa licença de tornar tudo tão literal como na cabeça de um jovem como nós acerta os corações juvenis em cheio.
Além do espetáculo visual que abraça as referências de quadrinhos, videogame, televisão (no genial momento Seinfeld), cinema e cultura pop de todo tipo em ritmo acelerado e elipses de cair o queixo, Scott Pilgrim Contra o Mundo retrata sem nenhum filtro de seriedade adulta o que é a atração, e não necessariamente o amor. Ramona Flowers pode ser o sentido que todo jovem procura na troca de olhares na balada, no poke do Facebook ou no corredor da faculdade. Ou simplesmente a princesa no castelo ao final da fase. Isso realmente não importa, observando o conjunto da obra. Aquilo tudo que você - nerd, indie, facilmente agradável - curte, misturado num filme que te deixa crer que, bem... o Mundo que você enfrenta depende, sobre todas as coisas, da sua cabeça.


*Maíra Testa é colaboradora do Audiovisueiros