sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Suckers II - O Vexame

É lamentável. US$ 37 milhões, profissionais (teoricamente, bem teoricamente!) competentes e um resultado que é uma... vergonha. “Crepúsculo”, que estréia hoje no Brasil, não decepciona somente os fãs da série literária por pecar na adaptação. Quando se decide adaptar a história de uma mídia para outra, a tendência é modificar alguns pontos que podem, até, construir um novo enredo. Isso é natural, existe liberdade criativa na produção de uma obra audiovisual e isso não deve ser ignorado. Mas o problema de “Crepúsculo” não é nem de longe a adaptação. Ele é um filme mal educado, que desrespeita o espectador que, além de desembolsar R$ 14, perde uma preciosa fatia de seu tempo com um filme tosco e universitário. Na verdade, é uma utilização incorreta. Universitários (sem arrogância, estou falando de todo o meu coração e não minto) realizariam um filme muito superior com nem US$ 10 milhões.
Os efeitos especiais mal feitos passariam absolutamente despercebidos se o resto do filme fizesse o contrapeso. Enquadramentos e decupagem (mas você não elogiou a decupagem dos outros filmes da diretora? Pois é!) são tortos e estranhos. Alguém que estudou um pouco de cinema ou que viu muitos filmes ou que fez um filme na vida(caseiro, que fosse) saberia realizar campos e contra-campos que não estivessem em desacordo com a linguagem cinematográfica. E a direção de atores... caras e bocas que não expressavam nada. A platéia, verdadeiramente constrangida, ria. Alguns atores (três para ser mais especifica) de papéis pequenos diferenciaram-se e algumas sacadas cômicas são realmente boas. Mas, infelizmente, não salvam o filme.
“Crepúsculo” fere o primeiro (talvez o único!) princípio da dramaturgia: o envolvimento emocional. Você não se sente atraído por esse filme em momento algum. Fica envergonhado, magoado e decepcionado de que algo como ele tenha sido realizado. O mistério é que os outros filmes da diretora Catherine Hardwicke, não são tão ruins e se os atores protagonistas não tiveram atuações expressivas em seus outros trabalhos, também não tiveram atuações ruins. Mas saímos da sala com a sensação de que vimos um filme porcamente realizado. É difícil de acreditar que alguma alma da equipe de produção realmente quisesse realizar e finalizar esse filme, porque ele é uma ofensa para o audiovisual.

Natália Vestri é colaboradora do Audiovisueiros

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

DVDs e férias escolares

De férias ou não nesse fim de ano, sempre acaba sobrando um ou dois dias entre os feriados de Natal e Ano Novo nos quais temos o luxo querido de ficar em casa.
Se a proposta é relaxar e curtir um cineminha em casa esperto, fica aqui algumas dicas, separadas por interesses.

Comédias românticas pra se chorar e terminar sorrindo:
Mensagem pra Você.
Alguém como Você.
Simplesmente Amor.
De Repente é Amor.
10 Coisas que Eu Odeio em Você.

Animações de qualidade:
Viagem de Chiriro.
Castelo Animado.
Wall-E.

Adaptações de quadrinhos, com jeito de HQ:
V de Vingança.
Sin City.

Clássicos pioneiros:
Era uma Vez no Oeste.
Acossado.
Batalha de Argel.

Romances com sensibilidade:
Orgulho e Preconceito.
Desejo e Reparação.

Um outro jeito de fazer cinema:
Espanglês.
Paris, Te Amo.
Labirinto do Fauno.
Beleza Roubada.
Viagem a Darjeeling.
Pequena Miss Sunshine.

Para fãs da matemática:
Pi.

Bom sofá!

*Natália Vestri é colaboradora do Audiovisueiros

domingo, 14 de dezembro de 2008

Suckers!


Nessa sexta-feira, dia 19 de dezembro, chega às salas de cinema brasileiras o fenômeno “Crepúsculo”. O filme conta a história de Bella, uma jovem tímida que decide se mudar para a pequena cidade de Forks, que ela odeia, para viver com o pai, que ela mal conhece, e conviver com pessoas com as quais ela não se importa. Apesar de tudo isso, ela não trocaria Forks por nenhum outro lugar no mundo. O motivo: Edward Cullen, o sedutor e misterioso colega de colégio com quem ela faz dupla nas aulas de Biologia. Os clichês não terminam por aí. O tal galã é, na verdade, um vampiro. Sim! Um sugador!
A série de livros escrita pela norte-americana Stephenie Meyer ganhou uma legião de fãs frenéticas e fiéis que não deixaram a adaptação cinematográfica na mão: em cartaz nos EUA, no Canadá e no México, o filme já fez mais de US$ 120 milhões nos primeiros 10 dias em que esteve em cartaz. Produzido pelos estúdios da pequena Summit, uma produtora independente, o filme custou apenas US$ 37 milhões e a diretora, Catherine Hardwicke, passou a deter o recorde de maior bilheteria de estréia para uma diretora mulher: US$ 70 milhões. Com esses valores, a produtora tem carta branca para começar a rodar a adaptação do segundo livro da série, “Lua Nova”.
Nessa febre adolescente, os astros desconhecidos da produção tornaram-se os novos ídolos da nova geração. Centenas de comunidades do Orkut, blogs e sites, especializados ou não, debatem sobre a vida pessoal dos atores e torcem por romances entre os membros do elenco. Robert Pattinson, conhecido também pela “expressiva” interpretação de Cedrico Digory na franquia Harry Potter e que agora encarna o vampiro arranca-suspiros Edward Cullen, teve que aprender a lidar com fãs que acampam na porta de sua casa, em Los Angeles, que lhe pedem em casamento e que lhe declaram amor eterno.
Qualidade literária ou não, qualidade cinematográfica ou não, essa série promete conquistar uma fatia importante e extremamente poderosa da população: mulheres dos 15 aos 25 anos (embora exista uma segunda fatia, de mulheres na faixa dos 40, chamada de TwilightMoms). E elas vão em busca de contos de fadas modernos que saibam dialogar com sentimentos que foram abandonados, nos últimos tempos, tanto pela literatura quanto pelo cinema: o amor puro e simples, sem segundas intenções. E é em “Crepúsculo” que elas depositam a esperança de viver essas experiências. Mesmo que através de personagens ficcionais.

Da diretora, assista "Aos Treze" e "Os Reis de Dogtown". Linguagem jovem e cuidados com a fotografia e com a decupagem.

*Natália Vestri é colaboradora do Audiovisueiros

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Ensaio sobre a cegueira (Fernando Meirelles, 2008)

Ensaio sobre uma nação

No último dia 2 de novembro, foi realizado o "Projeta Brasil Cinemark", onde todos os cinemas de rede Cinemark exibiram filmes brasileiros a 2 reais. Então, eu e meus amigos decidimos assistir ao filme "Última Para 174", o novo filme de Bruno Barreto. Quando chegamos ao cinema descobrimos que não havia mais ingressos para o filme, logo decidimos rever o filme "Ensaio sobre a Cegueira" de Fernando Meirelles. Como a maioria das pessoas sabe, o filme é uma adaptação do romance de José Saramago. A história fala sobre uma epidemia de cegueira que atinge o mundo, poupando apenas uma mulher. O filme trabalha a questão dos limites do ser humano, até que ponto um ser humano pode ser bom e até que ponto ele pode ser ruim quando submetido a situações extremas. O maior choque que tivemos não foi como o tema foi desenvolvido no filme mais sim a recepção do público.
Durante todo o filme, deve haver duas situações de humor, ou seja, duas situações que provocariam risos no público, mas não foi dessa maneira que aconteceu. Em diversos momentos tensos e violentos, o público achava uma brecha e iniciava uma boa gargalhada, até mesmo numa cena em que mulheres são estupradas, podia-se ouvir alguns risos incontidos, e alguns desejos escondidos. Uma amiga minha, que não se conteve com o filme e acabou se emocionando com a sessao disse após o término do filme: "Até parece que viemos assistir a comédia "Ensaio sobre a cegueira". Resumindo, o público perdeu a sensibilidade, as pessoas simplesmente nãoconseguem se emocionar e acabam vendo tudo como uma grande comédia. O público desaprendeu a se emocionar, infelizmente.
Agora, fico imaginando, quando essas mesmas pessoas vêem as notícias sobre a tragédia de Santa Catarina, as pessoas que ficaram sem casas, e que acabaram se submetendo a situações subhumanas, como furtos a supermercados e assaltos a mão
armada. Será que esse mesmo público dá risadas e se diverte com a desgraca alheia? Nunca duvide da "capacidade" humana.

Até a próxima, bjs...

*Renan Lima é editor do Audiovisueiros

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Festival de Aruanda

Estamos concorrendo no festival de Aruanda, também em trilha sonora.

Mais informações no link, é só clicar aqui!

*Guilherme Ferrari é colaborador do Audiovisueiros