sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Ensaio sobre a cegueira (Fernando Meirelles, 2008)

Ensaio sobre uma nação

No último dia 2 de novembro, foi realizado o "Projeta Brasil Cinemark", onde todos os cinemas de rede Cinemark exibiram filmes brasileiros a 2 reais. Então, eu e meus amigos decidimos assistir ao filme "Última Para 174", o novo filme de Bruno Barreto. Quando chegamos ao cinema descobrimos que não havia mais ingressos para o filme, logo decidimos rever o filme "Ensaio sobre a Cegueira" de Fernando Meirelles. Como a maioria das pessoas sabe, o filme é uma adaptação do romance de José Saramago. A história fala sobre uma epidemia de cegueira que atinge o mundo, poupando apenas uma mulher. O filme trabalha a questão dos limites do ser humano, até que ponto um ser humano pode ser bom e até que ponto ele pode ser ruim quando submetido a situações extremas. O maior choque que tivemos não foi como o tema foi desenvolvido no filme mais sim a recepção do público.
Durante todo o filme, deve haver duas situações de humor, ou seja, duas situações que provocariam risos no público, mas não foi dessa maneira que aconteceu. Em diversos momentos tensos e violentos, o público achava uma brecha e iniciava uma boa gargalhada, até mesmo numa cena em que mulheres são estupradas, podia-se ouvir alguns risos incontidos, e alguns desejos escondidos. Uma amiga minha, que não se conteve com o filme e acabou se emocionando com a sessao disse após o término do filme: "Até parece que viemos assistir a comédia "Ensaio sobre a cegueira". Resumindo, o público perdeu a sensibilidade, as pessoas simplesmente nãoconseguem se emocionar e acabam vendo tudo como uma grande comédia. O público desaprendeu a se emocionar, infelizmente.
Agora, fico imaginando, quando essas mesmas pessoas vêem as notícias sobre a tragédia de Santa Catarina, as pessoas que ficaram sem casas, e que acabaram se submetendo a situações subhumanas, como furtos a supermercados e assaltos a mão
armada. Será que esse mesmo público dá risadas e se diverte com a desgraca alheia? Nunca duvide da "capacidade" humana.

Até a próxima, bjs...

*Renan Lima é editor do Audiovisueiros

2 comentários:

Udi disse...

Bem, eu não estava lá prá sentir mas já me vi em outras exibições de cinema em que, claramente, percebi o riso em momentos inusitados como um "não-saber-como-reagir"... pelo que você fala do filme (ainda não assisti) não apenas os personagens, mas também o público, fica submetido a situações extremas... não poderia ter sido uma reação de quem não sabe como reagir?

Gui Ferrari disse...

acredito que a Udi está em um bom caminho de raciocínio... as vezes as pessoas não sabem mesmo como reagir... assim esperamos...