segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Povo de Nárnia, Uni-vos!


Como fazer um filme de guerra para crianças? Transmitir o calor da batalha sem derramar nenhuma gota de sangue?
O filme “Crônicas de Nárnia – Príncipe Caspian” é um bom exemplo de como esse gênero pode ser explorado, ainda que o público alvo seja o infantil. Mas pense bem antes de classificá-lo como um filme para crianças. Mais amadurecido do que o primeiro filme da série, “As Crônicas de Nárnia - O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa”, “Príncipe Caspian” é repleto de violência (sim, violência dessas que se vê em filme de gladiadores e outras carnificinas) e de reflexões fortes o bastante para nos emocionar. De verdade.
Novamente embarcamos nas aventuras dos órfãos Penvensie, que deixam Londres mais uma vez rumo ao reino de Nárnia. Enquanto um ano se passou no mundo real, 1300 anos passaram-se na terra encantada. Ameaçado de morte pelo seu tio, o tal príncipe do título foge rumo à floresta mágica de Nárnia e consegue o apoio de seus nativos. Além disso, os reis e rainhas que há mais de mil anos desapareceram, retornam agora com o objetivo de salvar, mais uma vez, sua “terra natal”. Quem são eles? Os nossos órfãos londrinos, é claro!
Os efeitos especiais são muito bem feitos. As personagens humanas contracenam quase que todo o tempo com criaturas em 3D e mal se nota tal diferença de... espécie. Da mesma forma, as coreografias de luta são extremamente bem feitas e bem dirigidas. Aliás, a maioria do atores (tá certo, eles não são fenomenais nem nada) não faz feio, mesmo com a pouca idade e a pouca experiência.
Não consigo deixar escapar: a construção de personagens é muito boa e nota-se uma clara evolução delas nesse um ano de elipse temporal. De todas elas, a que mais mudou com certeza foi Edmund que, no primeiro filme, foi um dos pivôs do sucesso da vilã Feiticeira Branca. Ele não esqueceu o que aconteceu e apresenta-se como o mais humilde e simpático dos irmãos, acompanhado, é claro, pela doce caçula, Lucy. Não é a toa que eles serão os únicos irmãos Penvensie presentes na seqüência de “Príncipe Caspian”, “The Chronicles of Narnia: The Voyage of the Dawn Treader”, prevista para 2010.
Além de personagens bem delineados e de efeitos visuais de qualidade, dilemas e emoções maduras também povoam o filme. Já tava na hora de deixarem de subestimar o público infantil. Afinal, ser criança não é nada fácil, principalmente no reino de Nárnia!

*Natália Vestri é colaboradora do Audiovisueiros

4 comentários:

Sabrina Tsuchiya disse...

É Nati, até concordo que tecnicamente esse seja um filme mais maduro do que o anterior, mas não segue o livro como o anterior.
Até o que irrita muitos em relação ao primeiro filme, como o fato dos irmãos Pevensie receberem presentes e não os utilizarem, segue o que está no livro. Pq eles encontram encontram seus pertences em outro perído. Já em "Príncipe Caspian" acontece o mesmo que aconteceu em "O diário da Princesa", onde muitas coisas são inventadas ou alteradas de acordo com o bom e velho "temperinho hollywoodiano". E foi justamente por isso que o segundo filme chateou muitos fãs do livro. Uma adaptação não precisa ser extremamente fiel ao livro, ela pode (e deve!) incrementar visualmente o que estava no livro, mas deve ater-se ao enredo do livro. E o fato dos únicos irmãos Penvensie a estarem presentes na seqüência “The Chronicles of Narnia: The Voyage of the Dawn Treader” fora muito bem explicado por Aslan no livro, devido a idade dos dois mais velhos. Entrar em Nárnia está ligado a inocência infantil. O que, por fim, justifica o fato de que, no primeiro filme, o dono do guarda-roupa não conseguia entrar mais em Nárnia. Todas as histórias no livro são muito bem amarradas. Eu amo esse filme, mas se pensarmos que ele é uma adaptação, então não. Ele falha em mto.

Maíra disse...

Eu tenho que concordar com a Sá em alguns pontos... como adaptação esse filme peca um pouco. Acredito que todas as adaptações de livro se dão mal em um ou outro aspecto - é impossível superar a imaginação do leitor - mas essa crônica em especial era uma das mais importantes do livro do Lewis. Distorcer um pouquinho não faz mal, mas também não faz bem. Perdeu um pouquinho da essência original, apesar de manter a qualidade como filme, pura e simplesmente. Ele é muito bem feito, o enredo [sem pensar na crônica original] é amarrado, os efeitos especiais não estão exagerados ou fakes. Mas faltou um bocadinho pra ser a obra do Lewis, e não a obra da Disney :]

Nat Vestri disse...

Meninas,
Não lí os livros mas confio inteiramente na opinião de vcs. Tanto nesse artigo como no do "Crepúsculo" tentei desconsiderar o aspecto de adaptação, porque seria um assunto que daria muito pano pra manga, pra horas de discussão exclusivamente sobre esse tópico.
Mas vontade de ler Nárnia não falta e pretendo fazer isso em breve, pra que possamos comentar o tema da adaptação.
E muito agradecida por terem comentado, e de maneira tão empenhada, ainda!
Saudades de vcs.
Beijão!

Renan Lima disse...

A questão da adaptação é uma coisa complicada...
Eu e minha irmã assistimos aos dois filmes sem ler o livro e gostamos muito, mais acredito que existam as boas adaptações e as más adaptações, é tudo uma questão de interpretação msm, lógico que ficar inventando situações não rola né, mas é nesse ponto que eu acredito que esteja o segredo, pois um filme adaptado vende tanto para quem leu o livro como para quem não leu! Fãs dos livros de Harry Potter esperam loucamente pelo lançamento do novo filme, e aqueles que não leram os livros? Esperam também. É a suspensão da discrença em sua totalidade...

Obs.: Vale salientar que a Disney ainda pensa sobre o novo filme de Nárnia, já que Príncipe Caspian não foi tão lucrativo, e uma nova continuação seria considerado um risco para a produtora.

Bjs a todos e continuem escrevendo...Estou adorando compartilhar opiniões...