quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Besouro (João Daniel Tikhomiroff, 2009)

O modesto voo do "Besouro"...

A ideia proposta pelo diretor do filme "Besouro" era fugir do convencional, fazendo um cinema diferente daquele que se está acostumado a ver no Brasil, um cinema de aventura. Críticas a parte, o filme acaba atingindo seu objetivo, mas deixa de lado um elemento fundamental: a história. O filme foi pensado sim no viés narrativo mas este se desenvolve de maneira pobre e sem vigor, a história foi deixada para trás: personagens mal construídos, raciocínio narrativo que não se conclui, arcos dramáticos inacabados, diálogos mal-contruídos; em determinados momentos ficamos com uma sensação do tipo: por que tal personagem desapareceu? Por que o outro voltou? Por que o personagem 1 não representa o 2 e vice-versa? Ou seja, a impressão que é passada é que a história não é o mais importante e salvo algumas passagens, o filme não se sustenta nesse campo.
Um elemento que, com toda certeza daria muita discussão e dabate seria, no filme, o misticismo: a questão dos mestres da capoeira, do “corpo fechado”, dos orixás, enfim, situações que nos tiram do real e nos levam para um mundo completamente fantasioso (o que seria ideal para o filme, se assumisse essa posição anti-real) são completamente minimizados no filme, a passagem que se tem é curta e não é convincente. Mais uma vez no cinema brasileiro, o filme tem medo de apostar no que fica além-mundo-real.De resto o filme acerta em quase tudo, aposta na beleza estética por meio de um nordeste antigo e embelezado, até mesmo as senzalas possuem um toque especial e simpático; atores muito bonitos com corpos esculturais; além de uma câmera muito segura, que se arrisca (de uma maneira contida) nas sequências de lutas mais sofisticadas bem como nos momentos de treinamento do protagonista. Observação especial para os efeitos de voo do nosso herói, confeccionados por um especialista que já trabalhou com Tarantino e Ang Lee: bem feitos e super convincentes, entretanto nada que já não tenhamos visto em outros cinemas. Resumindo, nada de novo, de novo.


*Renan Lima é editor do Audiovisueiros

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