sábado, 6 de março de 2010

Guerra ao Terror (Kathryn Bigelow, 2009)

A guerra de poucos...ou de muitos?

Mesmo ofuscado pelo rival "Avatar" concorrente direto pelo oscar de melhor filme, "Guerra ao Terror" conseguiu seu espaço e repercutiu de maneira intensa na mídia internacional. O filme mostra o cotidiano de um grupo especial anti-bombas que atua no Iraque. Até aí muitos pensariam: "E lá vem mais um filme de guerra" mas o que se tem é um retrato impressionante e até certo ponto revelador sobre a psiquê desses soldados americanos. Deixando de lado o espírito nacionalista americano juntamente com o "novo" governo Obama (o que na minha opinião será determinante para o resultado do oscar no próximo domingo), o retrato que se faz é de pessoas comuns que tiveram suas vidas completamente modificadas por uma guerra que não lhes pertence e que de um ponto de vista mais externo e abrangente não faz o menor sentido. Os personagens, reais, são dominados pela loucura, uns mais do que outros, e pela pergunta, que de maneira subjetiva, atinge o filme: "O que estamos fazendo aqui?" A "guerra" levada de dentro para fora em um país que esconde o rosto (literalmente) nos faz pensar o que se passa na cabeça de um soldado americano que vive cada dia como se fosse o último, contanto os minutos para voltar para casa. O esquadrão anti-bombas se vê a mercê de um comandante já atingido pela loucura que toma atitudes inesperadas e suicidas como, em uma das passagens do filme, quando retira o agasalho de proteção durante um desativamento de bomba. Vale ressaltar a atitude da câmera como elemento atuante, alternado momentos de grande euforia e agitação, zoom in e zoom out, além de muita câmera na mão; com momentos mais calmos, onde podemos respirar e tentar compreender a complexidade pela qual se passa o personagem em guerra. A montagem, primorosa, caminha nos mesmos moldes da fotografia, se valendo de planos curtos e planos longos em demanda da intenção dramática. Numa das sequências finais do filme, um soldado tenta ajudar um cidadão iraquiano, que tem seu corpo repleto de bombas, mas a ajuda é em vão e o soldado diz: "Me desculpe, eu queria ajudar mas não posso", além da ambiguidade na fala, cabe pensar também sobre o que é essa guerra, que é tão distante para alguns e tão próxima para outros...


*Renan Lima é editor do Audiovisueiros

Um comentário:

Gui Ferrari disse...

quero ver, quero ver!