terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Filmes em 1ª pessoa

Rec, Rec 2 e a questão do ponto de vista...

No prime
iro filme da agora constituída franquia "REC" (Além do segundo filme que já foi lançado, teremos mais outros dois, prometidos para a segunda metade desse ano), uma repórter, e seu fiel cameraman "Pablo" decidem acompanhar um dia de um grupo de bombeiros, fazendo uma reportagem para uma TV espanhola. Eles então recebem um chamado, vindo de um prédio, onde uma mulher ficou presa em seu apartamento, e lá descobrem uma ameaça muito maior.
Independente do acontecimento estabelecido dentro do filme, a discussão que proponho aqui é sobre, exclusivamente, o ponto de vista. Durante todo o tempo fílmico, a visão que é estabelecida para nós, espectadores, é a do cameraman Pablo, nosso olhar é guiado por sua câmera de reportagem, unicamente. Quando a câmera é desligada, temos um black, não existe um corte para outra câmera, enfim, somos Pablo, e essa é nossa única opção, somos obrigados a nos identificar com um único personagem pelo seu caráter subjetivo, ou seja, a partir do momento que a câmera entra no prédio infectado, não podemos "escolher" não entrar, convivemos com a repórter e com os outros bombeiros por uma condição pré-estabelecida, a de que a câmera de Pablo será a única opção do filme.
Por outro lado, nos identificamos com Pablo sem nunca vê-lo, sem conhecer seu rosto, apenas ouvimos sua voz. O fato inusitado é que nos identificamos com o único personagem que não podemos ver no filme, ou seja, estamos conectados o tempo todo em que a diegese fílmica acontece com um personagem que está no extra-campo, não conseguimos saber se o verdadeiro Pablo estaria atrás da câmera, ou se o fotógrafo nos "engana" o tempo todo.
Diferentemente do primeiro filme, "Rec 2 - Possuídos", aborda a situação de uma maneira um pouco mais fragmentada. A história acontece 1 hora depois do fim do primeiro filme e mostra um grupo especial da polícia que entra no prédio, que no momento está em quarentena. Aqui temos, não somente uma câmera, mas várias, entretanto, todas elas continuam representando uma subjetiva de uma personagem. São câmeras que estão colocadas nos capacetes dos policiais e uma outra que presente com um g
rupo de jovens (essa última, que do meu "ponto de vista", é a parte fraca da história). O fato é que, agora temos diversos pontos de vista, que se mesclam e muitas vezes se confundem, mas ainda temos uma "câmera-chefe", a de um novo cameraman que acompanha o grupo de soldados.
De qualquer maneira, seja enquanto proposta narrativa, seja para uma solução da história, perguntamos: por que a utilização de mais de um ponto de vista? O consagrado ponto de vista único em Rec 1 perde força no segundo filme, já que agora temos a segmentação dos olhares, o que não deixa de ser interessante, mas concordamos que existe uma menor tendência à identificação nesse formato. Talvez os realizadores tenham sentido medo de fazer Rec 2 parecido com o primeiro filme, mas a divisão de um único ponto de vista em vários acabou fazendo com que o filme fosse mais "normal" do que a proposta original, agora podemos, mesmo que não claramente, sentir a presença do corte, e não existe momento de black total, porque sempre existirá outra câmera. E dificilmente seriamos enganados nessa nova proposta, porque nós podemos ver quem está atrás da câmera, sempre que o ponto de vista é alternado. Enfim, acredito que a continuação, embora com mais requinte, teve menos audácia que o primeiro, e deixou o espectador mais protegido da narrativa, já que, se Rec 2 fosse um game e existisse a possibilidade de escolha de personagem, poderíamos facilmente escolher o caminho mais fácil, escolhendo o grupo de jovens, e se o jogo fosse mais aberto ainda, poderíamos escolher não entrar no prédio e sendo assim não haveria jogo e nem filme. Rec 2 foi medroso por dar alternativa ao interator, alternativa essa que o primeiro filme não dá, nem nos momentos mais dramáticos.

Esperemos os outros dois e seus futuros pontos de vista...


*Renan Lima é editor do Audiovisueiros

4 comentários:

Flavio Ferrari disse...

Fiquei curioso ....

Gui Ferrari disse...

heh eu sei que vc sabe mas vale a pena lembrar, esse não é o primeiro filme com essa proposta.. mas do jeito que vc está falando o primeiro parece bom! e eu gosto de nunca conhecer a aparência do personagem pois da a possibilidade de a interpretação da voz e dos enquadramentos para representar a personalidade do personagem, que é mto divertido!

Enfim, diferente da média das pessoas eu gosto de franquias e adoro ver continuações... portanto assistirei os dois e espero pelas novidades! heh =D

Bom texto Rê! gratz

Gui Ferrari disse...

nossa, como ficou torta uma parte desse meu contário.. vamos de novo:
"...do personagem pois..." da a possibilidade de a interpretação de voz e os enquadramentos definirem a personalidade do personagem.

Gui Ferrari disse...

Apressado é F&*a, Comentário*