sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Vício Semanal

Diferente do que alguns pensam, um seriado não é um filme muito, muito longo. Cada episódio contém em si o ciclo fundado por Aristóteles em “A Poética”, nosso velho conhecido “começo, meio, fim”. Uma situação é apresentada, um problema é proposto e uma solução é dada até o fim do capítulo. Uma solução raramente permanente, raramente estável, raramente inteligente. Considerando a temporada de um seriado, o mesmo ciclo se repete: apresentam-se os personagens, novos e velhos, cria-se um conflito e resolve-se o conflito até o fim da temporada. Se usarmos como objeto de estudo o próprio seriado, com todas as temporadas, do começo ao fim, também vamos observar que a estrutura é a mesma.

Seriados carregam em si uma meta estrutura: um filme, dentro de outro filme, dentro de outro filme. Sabe-se lá até quando vai essa constante.

De maneira menos teórica e, provavelmente, muito mais simples, o que acaba atraindo o espectador é que essa estruturação, na verdade, permite a aproximação de uma narrativa audiovisual à narrativa subjetiva que cada um tem da própria vida. Nada é constante, nada é permanente, nada é regular. Em um dia acordamos bem, no outro tudo dá errado, nos sentimos otimistas, pessimistas, sortudos, azarados. A solução para um problema raramente tem efeito a longo prazo e se existe uma solução, logo haverá outro problema. No fundo, o que o seriado copia é esse esquema de irregularidades da vida real.

Ainda mais curioso é que mesmo cheios de angústias, problemas, conflitos e complicações em nossas vidas, todos os dias, não nos sentimos satisfeitos e perseguimos outras angústias, outros problemas, outros conflitos e outras complicações. Adoramos sair das nossas vidas, mesmo que seja por um instante, mesmo que essa outra vida também não seja assim tão perfeita.

*Natália Vestri é colaboradora do Audiovisueiros

4 comentários:

Flavio Ferrari disse...

Desde o tempo da Grécia antiga, os sábios acreditavam que através das tragédias do teatro nos preparávamos para as tragédias da vida.

Glaura disse...

Querido Gui,
hoje é sexta-feira, 21/08, e estou tentando encontrar vc desde de manhã, para dizer que amo muito você e que desejo toda a felicidade possível, e a sonhada, e a fantasiada, e a barganhada, a suada... Toda, mesmo que em momentos fugazes, para ser docemente lembrada!

Érica disse...

E quando elas traduzem EXATAMENTE o que estamos pensando?
Em tempo, as preferidas: Grey's Anatomy, Sex and the City (claaaaro!)e Men in Trees.
(muuuuito de mulherzinha, né? rs...)

Nat Vestri disse...
Este comentário foi removido pelo autor.