segunda-feira, 27 de abril de 2009

Alfie - Narrador X Câmera


Do diretor e roteirista Charles Shyer, "Alfie" não parece ser o tipo de filme que surgiria em um site de Cinema, ainda porque é uma refilmagem a moda de Hollywood, mas considerando que temos a pretensão de ensinar a linguagem audiovisual esta é uma obra que vale a pena lembrar, já que o original não é muito conhecido e ambos tem a característica que quero resaltar.
Da mesma forma que vemos em livros, os filmes tem um formato de narrativa, e alguns deles tem narrador. Neste caso temos um narrador em primeira pessoa e é exatamente sobre isso que quer ressaltar.
Um bom exemplo de filme em que o narrador não é em primeira pessoa seria sem dúvida alguma "Guerra dos Mundos" da produtora do Tom Cruise. Adaptação de um romance, o filme tenta manter o narrador bem semelhante à obra literária. "Meu nome não é Jonny" de Mauro Lima é um exemplo de filme que tem seu narrador em primeira pessoa, conta uma história centrada em apenas um personagem. Alguns filmes tem narradores apenas no início e no final como por exemplo "Simplesmente Amor", e alguns filmes como "Batman - O Cavaleiro Das Trevas" simplesmente não tem narrador. Essa decisão de colocar ou não o narrador em sua obra audiovisual vem antes mesmo de começar a decupagem, ainda no roteiro por ser uma decisão de linguagem no texto. E convenhamos, é uma decisão brutal para a aparência do filme.
Quero usar de bom exemplo o filme que deu origem ao texto. "Alfie" é um filme da categoria comédia romântica, que é centralizado em seu personagem principal interpretado por Jude Law. A diferença deste filme para outros de narração em primeira pessoa é que o personagem não faz a narração em OFF 100% do tempo, e sim as vezes fala com a câmera, o que faz do filme uma obra muito interessante. Não é uma decisão inovadora, mas faz o filme muito mais interessante. Vale a pena conferir nos filmes que você gosta, esse tipo de detalhe, pois assim aguçamos nossa percepção Audiovisual.

Se você vai colocar um narrador em sua obra ou vai deixar a câmera narrar a história é uma decisão sua, mas lembre-se de ter coerência.

té mais!

*Guilherme Ferrari é colaborador do Audiovisueiros

4 comentários:

Flavio Ferrari disse...

Decisão dificil ...
Mas as vezes um narrador é imprescindível ...

zuleica-poesia disse...

Amado Guilherme- Desde setembro (quando seu avô começou a demonstrar mais claramente a doença) não tenho visitado os blogs. Tenho saudades de você e gostaria que você viesse almoçar comigo quando lhe fosse possível.Traga a Letícia, se ela quiser. Abraço e beijo da avó Zuleica.

Renan Lima disse...

"considerando que temos a pretensão de ensinar a linguagem audiovisual"? Sério? Que pretensão? Gui, somos alunos e ainda estamos aprendendo sobre linguagem audiovisual, acho errado dizer uma coisa dessas.

Quanto ao texto, ficou legal, mas ainda acho "Peixe Grande" um melhor exemplo para se falar sobre narração...

besos...

Flavio Ferrari disse...

E algumas vezes a incoerência também é uma opçao...