quarta-feira, 12 de maio de 2010

Tudo pode dar certo (Woody Allen, 2009)

O retorno às raízes de Woody Allen...

O novo filme de Woody Allen, "Tudo pode dar certo" (Eua/França, 2009) retoma alguns conceitos contruídos pelo diretor ao longo de sua carreira. Primeiramente, temos um personagem idoso, o alter-ego de Woody Allen, vivido por Larry David, que reclama da vida e diz ser o único que realmente entende a raça humana, este se envolve com uma jovem, a bela atriz Evan Rachel Wood, ingênua e sedutora, que precisa dar um rumo na sua vida, e temos também um segundo homem, o belíssimo Henry Cavill, um jovem que se apaixona pela menina e recebe ajuda mãe da mesma para conseguir ficar com ela. Adiociona-se o humor inóspito e as situações inusitadas, características marcantes do cinema woodyaliano. Afora a semelhança com um outro filme do mesmo diretor, "Manhattan" (Eua, 1979), pelas relações e pelas caracterísiticas dos personagens, ainda temos a quebra da 4ª parede, quando, logo no início do filme, David olha diretamente para a câmera e fala com espectador: "Eles pagaram ingresso e compraram pipoca para nos ver" - ele avisa.Mais uma vez a exploração do diálogo é o ponto forte, com diversos momentos em que o personagem faz um monólogo para a câmera, lembrando muito uma encenação teatral, mas também temos, em outras circunstâncias, momentos em que as falas são explicativas demais, tornando o filme um pouco cansativo. As atuações são fortes, e salientam as personalidades distintas dos personagens, além disso, aquelas situações inusitadas, citadas no começo do texto, aparecem de formar muito impactantes, como a chegada inesperada da mãe da menina no refúgio em que se "esconde" com David e a futura transformação da própria mãe estabelecendo um relacionamento com dois homens ao mesmo tempo; além da chegada do pai que procura pela sua ex-esposa e nos antecipa para seu final surpreendente.Sobretudo, Woody Allen explora o gênero que o consagrou e que o tornou um dos mestres do cinema, a comédia de tipos e estereótipos, personagens bem demarcados e relacionamentos quase impossíveis, muitas vezes um velho e uma jovem que se apaixonam de maneira inexplicável e que vão acabar sofrendo com isso em um determinado momento.O momentos mais engraçado do filme, coincidentemente ou não, é quando o velho olha para "nós" e nos trata como íntimos, conta algum aspecto de sua vida ou fala sobre o próprio filme: "Este não é um filme alegrinho", ele avisa, parecendo ser o próprio Woody dizendo aquela frase, o que nos faz refletir um pouco sobre o seu cinema, sobre a sua forma de ver as coisas, o trágico visto de uma maneira engraçada, o final feliz que é triste, enfim, as coisas que não se resolvem direito, aquilo que pede continuação. Alguns amam, outros odeiam, mas esse é o nosso Woody...


*Renan Lima é editor do Audiovisueiros

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