Viajo porque preciso, volto porque te amo (Marcelo Gomes e Karim Aiñouz, 2009)

Poderíamos resumir o novo filme de Karim Aiñouz e Marcelo Gomes como uma poesia narrativa, com uma "quase" estrutura clássica (começo, meio e fim) permeada por momentos profundamente subjetivos e emotivos.A história do filme se resume a uma viagem pelo nordeste brasileiro, feita pelo geólogo José Renato (Irandhir Santos, Pedra do Reino) onde ele faz uma pesquisa sobre um possível canal que será construído a partir do desvio das águas. José Renato, personagem o qual nunca vemos o rosto, nos conta dados técnicos sobre a sua viagem, sobre o seu trabalho, informações que ele vai coletanto para algum fim, que aos poucos vai ficando em segundo plano.Já no pano de fundo da história, outra narrativa começa a se expandir e tomar conta da situação, é uma leitura sobre a memória, o passado e a nostalgia. Percebemos que José deixou um grande amor para trás e que isso ainda o afeta e o perturba, mas ele sabe que deve continuar, esquecer e iniciar uma nova jornada: "Eta, saudade da porra", clama o personagem, durante suas andanças. Mas quando descobrimos que o seu "amor" na verdade o deixou antes dele partir, nos identificamos e nos solidarizamos ainda mais com José, que ainda remoe aquele sentimento e que a fuga, no momento, é a melhor saída para o esquecimento.

*Renan Lima é editor do Audiovisueiros
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