terça-feira, 13 de maio de 2008

Sobre o cineasta Fernando Meirelles e sua nova obra.


Para quem ainda não sabe, o diretor Brasileiro Fernando Meirelles (entre suas obras está "Cidade de Deus" - indicado para 4 oscars e "O Jardineiro Fiel" - também indicado a 4 oscars...), que é da equipe da O2 Filmes completou a pouco a versão final do filme "Blindness" que irá para o litoral sul francês para abrir a 61ª edição do festival de Cannes. Fernando Meirelles é arquiteto e passou a dirigir programas independentes para TV nos anos 1980, comerciais nos anos 1990 e finalmente longa-metragens no século XXI.
O filme "Blindness" é uma adaptação para cinema do livro "Ensaio sobre a segueira", de José Saramago. Posso levar pedradas por isso mas não gostei do livro, porque não é muito o meu tipo de leitura (é muito pesado e tem algumas coisas que eu não escreveria e nem filmaria), masssss tanto Meirelles quanto Saramago são mmmmuito aclamados pelo público, culto ou não.

Enfim, o filme foi rodado em SP e até onde eu sei todos os atores principais são americanos. Li que algumas partes do filme são "reproduções de quadros" de forma cinematográfica. Meirelles disse: "A idéia de reproduzir quadros num filme não é original mas, nesta história sobre visão, trazer referências do imaginário humano ao longo do tempo pareceu fazer algum sentido". um exemplo que ele deixou passar para a mídia é uma referência a um quadro de Pieter Bruegel. Abaixo, a foto do "Estado de S ão Paulo" - tirada no set de filmagem - e do quadro referido:




Meirelles ainda fez um comentário no blog do filme que vale a pena ler: "Fora este Brueguel, quem conhece um pouco de pintura vai identificar referências a Hieronymus Bosch, Rembrandt, Malevitch, alguns dadaístas, cubistas, Francis Bacon, gravuras japonesas, e principalmente algumas telas do Lucien Freud que nem referências são, são cópias mesmo. Homenagem. O que me espantou ao reproduzir estes quadros foi constatar que apesar do nosso empenho em buscar imagens expressivas no filme, cada vez que estas referências aparecem na tela elas saltam. Isso talvez explique porque estes artistas resistiriam ao tempo. Em seus trabalhos, conseguiram alguma espécie de síntese que mesmo nessas cópias, fora do seu tempo, ainda continuam expressivas."


é isso ai. agora vale a pena esperar para ver o que esse Brasileiro fez com a obra de Saramago.
Para quem não assistiu "Cidade de Deus", um aviso: não conte para ninguém que não viu, passe hoje na locadora, assista, repare no filme todo mas principalmente na sequência inicial (que eu adoro e vivo dando de exemplo) e depois venha aqui, finja que assistiu a um tempão e fale o que acha!

até mais!
- Teaser do filme "Blindness" dirigido por Fernando Meirelles:







*Guilherme Ferrari é colaborador do Audiovisueiros

4 comentários:

Udi disse...

Gui: adorei ler esta postagem. Não li o "Ensaio sobre a cegueira" (não deu tempo) mas o tenho em minha lista de pendências e minha expectativa é que vou gostar. Mas meu comentário não pretende concordar ou discordar da sua opinião. Estou aqui só prá te dar os parabéns pela qualidade da informação (e com conteúdo editorial) com a qual você nos presenteia. Eu apenas sabia sobre o filme do Meirelles abrir a mostra de Cannes mas os detalhes sobre o filme perderam-se em minha falta de tempo.
Então te agradeço pela informação, no mínimo, interessante sobre as reproduções de obras como as de Brueguel, que - infelizmente - desde os tempos em que foram produzidas (idade média? renascimento?) até hoje, permanecem atuais. Evoluímos? "Nós quem, cara pálida?"
beijo

Suzana disse...

Gui

Soube que Fernando Meirelles perdeu o argumento original de "Blindness" e se não me engano havia perdido também "Cidade de Deus" e pasme!,"O Jardineiro Fiel"!!

Será este o grande mistério de seu sucesso?

Flavio Ferrari disse...

Em terra de cego, quem tem um ollho ... ops errei!

A.Tapadinhas disse...

Eu costumo dizer que um bom pintor pode olhar para uma parede, branca ou preta, não interessa , e fazer uma obra-prima. Não sei se um bom realizador, pode pegar num mau livro e fazer um filme extraordinário. O contrário está sempre a acontecer... "O ensaio sobre a cegueira" é um livro alegórico, pessimista, sobre o estado actual do mundo, que só alguns conseguem ver na sua hediondez - no livro, só fica com visão a mulher do médico...
Não há temas maus, mas há maus pintores... e maus realizadores...
Quem faz um filme como o "Fiel jardineiro", em que está tão presente o tema da corrupção e desumanidade, está qualificado para "Blindness". Fiat lux!!!
Abraço.
António