quinta-feira, 17 de julho de 2008

Edição de som não realista: O básico

Não é todo filme que tem como objetivo mostrar da forma mais fiel possível dentro da linguagem do cinema o mundo como ele é. Aliás, na minha percepção, poucos filmes realmente tem esse objetivo.

Claro que falo isso de forma completamente vazia, exatamente porque uma discussão sobre o cinema e a realidade não é o que quero iniciar.
Gostaria de falar, na verdade, sobre o cinema e a edição de som não realista.

A montagem da imagem é capaz de mostrar através da sua linguagem diversas informações que não estariam lá. Isso quer dizer que o cinema tem qualidades semi-óticas incalculáveis. Um exemplo: se você colocar a imagem de JW Bush seguida de uma imagem de bomba atomica e depois uma de um leão trucidando uma presa, você entenderia que Bush ataca as coisas com fúria, como um leão com fome. Ou que Bush tem o poder de um bomba, o vigor e a vontade de um leão, ou que ele ataca sem pensar, com bombas e dentes... a questão é que essas três imagens separadas não dizem nada disso, mas em conjunto elas formam uma terceira imagem.

O som também é capaz de criar essa terceira "imagem". por exemplo: ao invés de colocar essas três imagens, poderíamos deixar apenas a imagem de Bush e ao fundo colocarmos o som de uma bomba atômica e de um leão. Isso pode não só dar o mesmo sentido como trazer novos sentidos. A voz de Bush poderia ser um rugido de leão, dando a entender que qualquer coisa que ele fala é blablabla vou comer todos vocês bla bla bla.

Lembre-se que o som é capaz de criar novas imagens. O som e a imagem vivem juntos.

*Guilherme Ferrari é colaborador do Audiovisueiros

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