sexta-feira, 9 de abril de 2010

As Melhores Coisas do Mundo (Laís Bodanzky, 2010)

Aos jovens, com carinho...

Adolescência, sexualidade e liberdade: a junção desses 3 elementos é fundamental para se contar a história do novo filme de Laís Bodanzky, "As melhores coisas do mundo". Um filme jovem, feito para o público jovem, "As melhores" tráz a vida de Mano, um menino de 15 anos que encara as questões e os "problemas" de uma juventude agitada: a separação dos pais, a revolta do irmão, a paixão adolescente, os círculos de amizade, enfim, retrata o cotidiano do jovem em fase de transição, que tenta entender seus próprios "por quês", muitas vezes encarando a família como inimiga e tornando o diálogo impossível, mas por outro lado, buscando nos amigos a ajuda para resolver os próprios problemas. Junta-se a Mano, a menina Carol, madura para sua idade, ela partilha dos conflitos do amigo, tentando compreender melhor o seu papel no mundo em que está inserida, lidando ainda com uma paixão platônica por um professor da escola.
Com diálogos muito bem desenvolvidos e sinceras atuações (principalmente do casal protagonista, não atores), o filme carrega um tom de nostalgia e resgata possíveis traumas nos pós-adolescentes de hoje que acaba se refletindo nos espectadores de maneira muito pessoal e íntima. A fotografia realista de Mauro Pinheiro e a montagem dramática de Daniel Rezende dão o tom necessário para o agradável clima que o filme carrega.
As notas baixas ficam por conta dos personagens: Pedro, irmão de Mano, um adolescente bebezão, atormentado pelo abandono da namorada, irritado com o irmão, com a família e com o mundo; Marcelo, o professor de violão de Mano, que nos momentos de "respiro" do filme, não dá conta de tranquilizar o seu pupilo, colocando ainda mais dúvidas em sua cabeça; e Bruna, a lésbica do colégio, cuja personagem poderia ter sido melhor explorada durante toda a trama.
de qualquer forma, "As melhores coisas do mundo" torna-se um ótimo filme, tão b
om quanto o anterior, da mesma diretora (Chega de saudade), que dessa vez, tenta através da internet (o filme foi amplamente divulgado e comentado em grandes sites de relacionamento como Twitter e Facebook) a sua aproximação com o público jovem. Esperamos que o filme vá muito bem nas bilheterias e que "As melhores coisas do mundo" torne-se uma das "melhores coisas do cinema".


*Renan Lima é editor do Audiovisueiros

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